sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Novela do Salário mínimo. Mais uma reunião sem acordo.



Mais uma reunião para tratar do valor do novo salário mínimo terminou sem acordo. Desta vez, longe de Brasília, o encontro entre representantes do governo e das centrais sindicais ocorreu nesta sexta-feira, em São Paulo. Presentes, os ministros da Fazenda, Guido Mantega, do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, e da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho. Nenhum lado cedeu – o governo insiste no valor de 545 reais e os sindicalistas pleiteiam 580 reais.
Na saída, os representantes das centrais subiram o tom. Disseram ter ficado “frustrados” e “preocupados” com o comportamento da equipe da presidente Dilma Rousseff. O ministro da Fazenda, por sua vez, afirmou que o governo não irá alterar a proposta que defende, baseada no acordo firmado em 2007 com os trabalhadores. “Não estamos inventando nada, é apenas o cumprimento do acordo”, ressaltou Mantega.
Segundo ele, os encontros têm sido feitos para fazer valer o documento assinado durante o governo Lula para os próximos quatro anos. Os sindicalistas dizem concordar com os termos do acordo. Mas querem um ganho real do mínimo já neste ano.
O impasse tem origem no cálculo usado para o reajuste. Como o PIB de 2009 foi negativo, o aumento seria calculado somente com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para famílias de baixa renda. Com isso, o mínimo não apresentaria ganho real em 2011, somente no ano que vem. Os sindicalistas e alguns parlamentares rejeitaram a adoção da regra neste ano, exigindo que fosse considerado o PIB de 2010, que foi positivo.
Para o ministro da Fazenda, não há motivos para discutir a mudança do valor. “Todo mundo concorda com a política de valorização, mas eles querem uma exceção para 2011. Para o governo, ou vale para todos os anos ou não vale para nenhum”, enfatizou. “Se o governo tivesse uma sobra de recursos, poderíamos até considerar outro valor, mas esses valores impactam as contas públicas nesse momento de redução de despesas.”
Ameaça - Após a reunião, que durou cerca de três horas, líderes das centrais sindicais dispararam frases em tom de ameaça. “Estamos frustrados e preocupados com a política do governo Dilma, que segue a mesma que não deu certo há alguns anos, quando houve desemprego e sofrimento para a população”, disse o presidente da Força Sindical, deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP). “Foi frustrante ficar tanto tempo reunido para ouvir o que já ouvimos em outros encontros.”
Os dirigentes das centrais sindicais disseram estar abertos a reduzir o valor de 580 reais, mas somente se o governo apresentar um aumento maior para o salário mínimo, para o dos aposentados e para a correção da tabela de Imposto de Renda (IR). “É um absurdo eles falarem que não dá para aumentar o salário por causa de um risco de inflação que não existe, é um argumento fora da realidade”, criticou o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique da Silva.

Embate - O cabo de guerra referente ao ajuste do salário mínimo é o primeiro grande teste da relação entre o governo Dilma e os parlamentares. O Executivo vai enviar a MP com o novo valor ao Congresso até o início de março, mas, antes, tem tentado chegar a um consenso sobre o número para garantir que a proposta seja aprovada sem problemas.
Na quarta-feira, a presidente deu o primeiro passo para tentar amansar deputados e senadores. Na mensagem lida por ela na abertura dos trabalhos do Congresso, disse que irá enviar o projeto de uma política de longo prazo para o reajuste do mínimo.
No entanto, Mantega foi enfático ao dizer que o governo não vai modificar o valor de 545 reais. Em protesto, sindicalistas ameaçam mobilizar trabalhadores e parlamentares aliados. “Se o governo não sair dessa fixação, o embate será no Congresso Nacional”, alertou o presidente da Nova Central de Sindicalistas do Brasil, José Calixto. Perguntados se a revolta contra o governo poderia ser encarada como uma declaração de guerra, os sindicalistas soltaram um “ainda não”.
O secretário-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, afirmou que novas reuniões serão marcadas para discutir a questão. “Não havendo acordo, vamos enviar ao Congresso da mesma forma e lá vamos tentar convencer os parlamentares sobre a correção dessa política”, declarou.

Fonte: Veja
http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/salario-minimo-mais-uma-reuniao-sem-acordo

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